Carros, corridas e efeitos pra lá de especiais no novo filme da Pixar / Disney!
Fui ontem assistir à nova animação da Pixar/Disney: ‘Carros’ (Cars).
O filme conta a história de Relâmpago McQueen (Owen Wilson / Marcelo Garcia), um novato promissor no mundo do automobilismo ‘stock’. Extremamente autoconfiante, mascarado e individualista, ele consegue chegar às finais da Copa Pistão com grandes chances de ser o campeão – e de ganhar o patrocínio da Escuderia Dinoco, a mais desejada do circuito. Porém, por causa do seu individualismo, acaba vacilando na última volta e apenas empata com os outros dois principais corredores, o veterano ‘O Rei’ (Richard Petty / Márcio Simões), atual corredor da Dinoco, e Chick Hicks (Michael Keaton / Renato Rosenberg), corredor trapaceiro e falastrão que nunca conseguiu mais do que um segundo lugar.
Com o empate, uma nova prova é marcada para que os três carros façam o tira-teima e decida-se o vencedor. Quando Relâmpago é transportado para Los Angeles, um acidente na estrada faz com ele se perca e vá parar em Radiator Springs, uma pacata cidade de interior que já teve seus tempos áureos antes da construção da auto-estrada.
Nesta cidade, Relâmpago acaba aprontando uma encrenca das boas e é condenado a prestar serviços públicos para reparar seus erros. Metido a bonzão, ele acaba aprendendo com os habitantes da cidade que nem tudo na vida é do jeito que ele sempre aprendera. E sua pena comunitária acaba se transformando em uma grande lição de moral.
Entre os habitantes que o ajudam nesta empreitada estão o guincho Mate (Larry the Cable Guy / Mario Jorge), a porsche Sally Carrera (Bonnie Hunt / Priscila Fantin), o velho Doc Hudson (Paul Newman / Daniel Filho), entre outros personagens bastante característicos e cômicos (destaque para Luigi/Tony Shalhoub e Guido/Guido Quaroni).
Este filme/desenho é, sem dúvida, o melhor a que já assisti desde Shrek 2 (que é da Dreamworks). A começar pela qualidade gráfica, SUBLIME. Perfeita. Há cenas que você até esquece que é um desenho, tamanha a realidade das imagens e cenas. Um trabalho belíssimo da equipe de arte e animação.
A caracterização dos personagens é outro trunfo: ao invés de fazer os olhos nos faróis, como 99% dos desenhos que ‘humanizam carros’ fazem, os diretores decidiram colocar os olhos nos pára-brisas. Isso permitiu dar maior ênfase nas emoções mostradas pelos personagens (como vocês sabem, os japoneses usam muito estes recursos de grandes olhos nos mangás). Você logo esquece que os personagens são carros, e não ‘humanos’.
Ontem, no cinema, ainda estávamos vendo os trailers quando me dei conta que os mesmos estavam dublados em português. Puta merda, pensei. Odeio filme dublado. Mas confesso que esta versão de ‘Carros’ tem alguns méritos: a dublagem do Mate, feita pelo Mario Jorge (que também dubla o Burro do Shrek), é extremamente engraçada. O Mate original tem um sotaque caipira americano, e o Mario Jorge foi perfeito na hora de fazer o caipira ‘aportuguesado’. A dublagem do Doc Hudson (Daniel Filho) também está muito bem feita, bastante caracterizada. Ponto negativo para as vozes do Relâmpago McQueen (Marcelo Garcia, que também dubla o Batatão do Esquadrão Força Total) e mais ainda pra Sally Carrera (Priscila Fantin). Esta última parece que está lendo o texto, em vez de interpretar. Alguns sotaques dos carros (como Ramon ou mesmo “O Rei”) foram perdidos. Fora isso, o filme tem inúmeras piadas bem-feitas, como os insetos serem pequenos fuscas (beetles/besouros), os tunados serem ‘punks’ arruaceiros, ou ainda o carro turbo que ‘espirra’ porque está resfriado. A dupla de ‘italianos’ fanáticos pela Ferrari, Guido e Luigi, são responsáveis por boa parte dos momentos cômicos do filme.
E certifique-se de ficar até o final, perto dos créditos – existem umas paródias de filmes anteriores da Pixar que são simplesmente hilários, como Monstros S.A., Toy Story, onde os protagonistas foram substituídos… por carros!!
Enfim, ‘Carros’ é um filme que diverte à todas as idades, desde a molecada até os marmanjos. Até a mulherada que não curte muito as carangas deve gostar, por causa da caracterização dos personagens e da história muito bem elaborada.
ps: Destaque para o curta que passa antes do filme principal:
‘One Man Band’ (Banda de um homem só) é um curta-metragem animado muito bem produzido sobre um daqueles caras que tocam sozinho vários instrumentos. Ele tenta a todo custo ganhar um trocado tentando entreter um pequeno garoto. O que ele não contava, porém, era com a concorrência… Animação perfeita, com destaque para as caras que o moleque faz.
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