Crássicos Revisitados: Street Fighter II: The World Warrior

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Street Fighter II - Title Screen
Tela raríssima: a máquina nunca ficava livre.

Eu nunca vou esquecer o dia em que eu entrei no costumeiro fliper da Liberdade e vi, espantado, uns 20 moleques em volta de uma máquina. Não conseguia ver quem jogava, tampouco a tela. Mas ouvia gritos e vozes digitalizadas que, até então, eram o supra-sumo da tecnologia.

Era 1991, e eu era um moleque cabeludo de 15 anos.

E quando eu finalmente consegui botar os olhos na tela daquela máquina empesteada de gente, vi algo que transcendia tudo o que já tinha visto em matéria de games.

Dois bonecos gigantes (para os padrões da época) se pegavam na porrada. Um deles, de dogi (kimono de luta) branco e faixa vermelha na cabeça, atirava bolas azuis voadoras em um magricela que esticava os braços por quase toda a tela. As vozes dos personagens, perfeitas, soltavam palavras inintelegíveis como CHORIUGUE e YUGAFAIER.

Aquilo era Street Fighter II, meus amigos. Lendário.

Depois de uns 15 minutos esperando, finalmente consegui jogar. Não sozinho – mas um “contra”, como dizemos até hoje quando tiramos um player vs. player. Me senti mais perdido que cebola em salada de frutas. 6 botões na minha frente, e eu com apenas 5 dedos.

Descobri, a duras penas, pra que serviam os botões. Foi uma mudança completa de paradigmas aprender que não bastava somente pular e apertar os botões desesperadamente: era preciso coordenar movimentos como “meia lua” + soco, “carregar” o golpe, defender com o stick para trás.
E algumas fichas depois e MUITO tempo de pé, comecei a pegar a manha do negócio.

Street Fighter II
Sou brasileiro e não desisto nunca.

Street Fighter II surpreendeu a comunidade dos videogamers por vários motivos: gráficos belíssimos para a época, vozes praticamente perfeitas, mecânica totalmente inovadora. E estratégia, muita estratégia.

Cada personagem tinha seus pontos fracos e fortes. Com o tempo, os moleques começavam a se especializar em um estilo, em um boneco. E dava pra traçar estratégias contra o adversário, dependendo de qual personagem ele escolhia. Dava até pra se julgar uma pessoa pelo personagem escolhido – “O Apelão”, “O Técnico”, “O Mané”.

Aprender a jogar com cada um dos 8 lutadores também foi algo épico. Conceitos totalmente novos. Soco fraco, médio, forte. Aprender a “inverter” os golpes caso estivesse do outro lado da tela. Lutar com estilo. Sim, até isso havia. Chegou num ponto onde não bastava ganhar do adversário: tinha que “matar bonito”: um Shoryuken, um Pilão Giratório.
Assistir aos outros jogando era algo como ver o UFC no pay-per-view hoje.

E assim eu passava os dias no fliper.

É divertidíssimo olhar pra trás e lembrar a mudança cultural que tudo aquilo causou;

  • Os moleques dizendo “solta radúgue”, “choriúgue”; chamando o golpe do Guile de FACÃO;
  • Um monte de gente revoltada pelo fato de o brasileiro ser um animal e morar na Amazônia;
  • Guris soltando o “Spinning Bird Kick” pra ver a calcinha da Chun-Li;
  • Gente brigando de verdade porque o outro “apelou” e “pegou tonto”;
  • Gente abusando do exploit do Guile (aquele que paralisava);
  • A galera que chamava o M.Bison de MISTER BISON;
  • Molecada gritando “faz meia lua e soco” quando, tecnicamente, era 1/4-de-lua;
  • Até hoje não conheço ninguém que pronuncia “Gáil”. Todo mundo fala Guile (como se escreve);
  • Discussões infindáveis sobre como quebrar o carro em menos tempo (bonus stage);
  • A famosa “apelação” de dar rasteirinha rápida e logo em seguida agarrar; enxágue, repita.
  • O “Tiger ROBOCOP”;
  • Gente que dizia que o efeito parallax do cenário era 3D;
  • Gente comprando SuperNES só pra ter Street Fighter II em casa;
  • A lenda do Hadouken Vermelho – um glitch que fazia o Hadouken normal sair, bem… vermelho. A molecada pirava em mil teorias que tirava mais energia, era o “radugue perfeito”, etc;
  • A outra lenda do golpe secreto da Chun Li, onde ela tirava os braceletes e arremessava no oponente;
  • A clássica brincadeira de Primeiro de Abril da revista GamePro, dizendo que Sheng Long (mestre de Ryu e Ken) aparecia no final caso o jogador finalizasse o game vencendo todos os rounds com Perfect, sem perder nenhum.

Eu gostava de ir treinar e jogar nos flipers da Liberdade, só pra depois ir ao arcade do shopping e esmerilhar com os filhinhos de papai. Eu ficava a tarde toda com uma ou duas fichas – a contagem de Win acima do placar chegando a 30 enquanto os moleques gastavam toda a mesada tentando me tirar da máquina. Virava questão de honra.
Uma horda assistia hipnotizada – como disse, era quase uma UFC em forma de pixels.

De lá pra cá, a Capcom criou história com a série Street Fighter.
Trocentas cópias surgiram – Mortal Kombat, Fatal Fury, Killer Instinct – só pra citar alguns. A própria Capcom reinventou seu blockbuster e lançou outras versões: Champion Edition (mestres selecionáveis), Hyper Fighting, New Challengers (4 novos lutadores), entre outros – a última versão é a Super Street Fighter 4, para os consoles de nova geração. O gênero dos games de luta surgiu, evoluiu, e conquistou milhões de fãs.

E hoje, 20 anos depois, eu ainda gosto de usar o emulador pra jogar o “velho” Street Fighter II. Sem Super Combos, sem barra de Especial, sem ultra-finish-sei-lá-o-quê.

Só o bom e velho Ryu sentando um lindo CHORIÚGUE no Ken, aquele viadinho.

Street Fighter II
Na fuça, namorado da Barbie.

Leia também:

Street Fighter 4 [PS3]
Street Fighter Legacy
Super Street Fighter II Turbo HD Remix

3 Responses to “Crássicos Revisitados: Street Fighter II: The World Warrior”

  1. Ocho Says:

    Street Fighter 2 foi um divisor de águas na era do videogame. Eu tambem me lembrava de todos esses detalhes (hadouken vermelho, chute facao do Guile, sheng long secreto, etc.)
    É bom relembrar belas recordacoes.

  2. Thiagones Says:

    Cara,

    Joguei muito isso… Eu tinha comprado o SNES pouco tempo depois, mas foi divertido jogar no SuperFamicon de um amigo meu, usando o adaptador (ridiculo) de cartucho americano.

    Eu adorava ver a calcinha da Chun-li, mas depois do Ryu era a segunda personagem que eu gostava de jogar. Matar o Vega era tão mais fácil com ela.

    rsss

    Absss

  3. Vinigm04 Says:

    Cara… nostálgico esse texto, mas eu não fui da época do lançamento de Super Street Fighter II, apesar de gostar mto do game sempre fui mais fã de KoF… xD

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