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Cache

Escrito por mr.blue em 11.03.07

Virou mania agora idolatrar filme-cabeça.

Assisti a Cache esse final de semana. Ontem, pra ser mais exato. E gostaria de dar minha opinião sobre 2 coisas:

O filme:
Georges (Daniel Auteuil) é um apresentador lá de um programa de tv que começa a receber fitas de vídeo em casa. Nas fitas, filmagens da fachada da sua casa, com sua esposa (Juliette Binoche) e o filho (sei lá o nome do ator moleque) entrando e saindo. Junto com as fitas, desenhos toscos e macabros.  A cada fita, as filmagens se tornam mais “próximas”, íntimas e pessoais (no caso de Georges), e lembranças do passado começam a assombrá-lo.

O filme fica nesse desenrolar de recebe-fita - investiga - flashback - relações pessoais. Termina praticamente do mesmo jeito que começou.

- - Não continue a ler caso não queira saber mais detalhes deste filme. - -

Quando terminou, eu ri. Ri mesmo, porque tinha certeza que ia acabar assim.

Parênteses:
Existe um “recurso”, cada vez mais em voga no cinema, chamado McGuffin.  Foi inventado por Hitchcock, até onde eu sei. Trata-se de alguma coisa que é colocada nos filmes pra chamar a atenção do espectador, mas que na teoria não tem importância nenhuma. Muitas vezes dá-se extrema importância à um McGuffin no início do filme, e depois, no desenrolar da história, sua importância diminui até, não raramente, desaparecer e nem mais se falar dela.
O termo surgiu de uma descrição dada pelo próprio autor: ”Imagine dois homens em um trem. Um deles diz: Que pacote é aquele no porta-bagagens? E o outro responde - Ah, é um McGuffin. O primeiro pergunta  - O que é um McGuffin? – Bem, é uma armadilha para pegar leões nas montanhas escocesas. O primeiro retruca: - Mas não há leões nas montanhas escocesas! - e o outro responde: - Ora, então não existe nenhum McGuffin!”
Então, McGuffin é absolutamente nada.
Fecha parênteses.

As fitas recebidas por George são exatamente McGuffins. Algo como o filho de Don Johnston em “Flores Partidas”.
Na verdade, são pretextos para que a história se desenrole sobre os segredos de cada membro da família, dos outros personagens, e até mesmo de você como espectador. O diretor Haneke parece tentar fazer as cenas filmadas serem associadas como a própria visão do espectador. “Parece”, porque como em todo filmeco-cabeça, existe essa “justificativa” de dizer que o que importa é a liberdade para o espectador imaginar o que quiser. Pura bosta.

O filme termina com tantas aberturas para o espectador “imaginar” que chega a ser ridículo. Nada tem resposta. Todas as perguntas que você se faz durante o filme ficam em aberto. “GÊNIO”, diriam alguns. Encheção de saco, digo eu.

Poster Cache

Algumas cenas são ótimas, confesso. Tá vendo o pôster do filme aí do lado?   EXCELENTE. Se ainda não viu o filme, guarde bem esta imagem. Achei do caralho! É a cena mais chocante de todo o filme, quebra totalmente o ritmo seguido até então. E os atores também são muito bons, perfeitos.

Outra coisa que eu humildemente admito é a minha ignorância sobre o fator político que o filme tem. Fui procurar fatos sobre relações França-Argélia e, lendo um pouco sobre isso, dá pra perceber que toda a história de Cache é uma grande metáfora para os fatos históricos franceses. E só por isso eu não classifico esse filme como “GRANDE MERDA”. Bom filme como metáfora política (e aquela velha história de tapa na cara da sociedade, mas um lixo como entretenimento. Ainda mais pra quem não é francês ou nem de longe sabia do passado daquele país.

Se quer uma noite de entretenimento e diversão, não veja este filme.
Se quiser debater teorias estapafúrdias entre amigos, esse filme é pra você, campeão. E também para... 

2) Cine-intelectuais de merda:
Como tem intelectualzinho que se acha, não? Nego vê filme, não entende porra nenhuma, e logo acha que é “filme-cabeça”.  Geralmente esses intelectuaizinhos acham que cinema americano é lixo - cinema iraquiano é que é fodão. Se for em aramaico e tiver orçamento de 1000 reais, então, é perfeito. Ou basta o filme sair da estrutura introdução/ desenrolar/ desfecho. Ah, pronto, os intelectuais acham o máximo. E adoram meter o pau no pessoal que diz: - Achei uma bosta.
Acho impressionante quanta gente eu vi dizendo que achou Cache o MÁXIMO. E quando eu pergunto por quê, usam todos os argumentos que citei acima. -E sobre a história,- eu pergunto. -A história é fantástica porque você é quem cria, você é quem imagina, você é quem fica quebrando a cabeça pra achar uma conclusão.      

Grande merda. Pra quê paga ingresso, então?
Mania besta de achar que filme diferente é filme bom.

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