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Pois bem: continuemos o review sobre o iPad. Na primeira parte, abordamos algumas questões sobre o hardware e o sistema operacional. Mas como é que este conjunto se comporta no dia-a-dia? Quais as limitações? E como o iPad se adequa ao conceito de tablet?
Quando os primeiros rumores sobre o iPad surgiram, lembro que eu (e mais 99% da população terrestre) pensou: PRA QUÊ diabos vou precisar disso? Era, em tese, um computador portátil sem teclado e touchscreen. Ora, a HP já tinha alguns modelos de notebook tipo tablet, e empresas como a Nokia e Archos já tinham mini-tablets com capacidade pra acessar a internet e mídia.
Conforme as especificações foram confirmadas, o frisson só aumentou: Sem USB? Sem Flash? Sistema operacional de telefone? Por que trocaria meu notebook por um desses?
As pessoas não conseguiam posicionar o produto em uma categoria. A PRÓPRIA APPLE não conseguia (ou não queria) posicionar o produto em uma categoria. E isso gerou uma confusão na cabeça das pessoas, lembrando-me inclusive a fábula do corvo e do cisne – dizem que o corvo, no desejo de ser lindo como um cisne, arrancou suas próprias penas, colou penas de cisne no próprio corpo, e tentou juntar-se a eles. Foi ridicularizado. Tentou voltar para o bando dos corvos, e foi igualmente rechaçado.
Ou seja: o iPad foi criticado pelos que o consideravam um notebook (a grande maioria), e também foi criticado por aqueles que o posicionaram na categoria media player / celular / ebook.
E Steve Jobs, em tese, sabia disso – e sua intenção, muito clara agora, era ser o primeiro a entrar nesse novo mercado. Não tem USB? Nem flash? Nem câmera? Foda-se, foi o pioneiro! Deixe as mudanças para o próximo modelo, o importante agora é CRIAR e DOMINAR esse mercado.
Por isso, o iPad não é nem corvo e nem cisne. Analisemos então este “novo” conceito:
O Conceito
Algumas pessoas começaram a pregar por aí que o iPad é o futuro da computação pessoal, o verdadeiro PC (personal computer). Um multigadget, que pode se transformar num livro, ou num mp3 player, ou num leitor de emails. E que seria responsável pela “inclusão digital” (entre aspas mesmo) de gente que não têm habilidade com computadores, como aqueles seres extraterrestres chamados “pais e mães”. E avós.
São pessoas que apanham de sistemas operacionais completos e usam 1% do que a máquina oferece. Querem ver email, sites, vídeos, fotos, um joguinho aqui ou lá. E sempre levam bronca porque abrem email com vírus, desconfiguram tudo, apagam fotos sem querer.
Pois bem, o iPad serviria para estas pessoas. Para descomplicar.
O ESCAMBAU QUE É.
Ora, peça a esta mesma vovozinha para usar o iTunes e colocar músicas no iPad. Ou configurar a conta de email no aparelho. Ou sincronizar uma pasta de fotos entre desktop e iPad.
Porra, se a pessoa não sabe nem abrir as fotos no desktop, como é que saberia jogar tudo isso pro iPad? E usando um software PORCO como o iTunes ainda por cima?
Desculpaí, gente. Mas quem acha que o iPad veio facilitar a vida desse povo está MUITO enganado. A porra do iPad não vem NEM COM UMA MERDA DE MANUAL!
Grande parte dos aplicativos disponíveis também não ajuda. Não são amigáveis, não deixam claro onde clicar, e muitos usam gestures “personalizados” – diferindo de app para app. Deslizar 2 dedos na tela em um app tem um significado totalmente diferente em outro, e por aí vai.
É o que eu disse lá em cima. Público alvo. O iPad NÃO É para leigos ou analfabyticos. Fazer download de aplicativos ou arquivos é sofrível. Não há um Gerenciador de Arquivos para saber onde estão salvas as suas coisas – e mesmo se houvesse, seria inútil porque temos que usar o iTunes pra sincronizar tudo. Em tese, não dá pra copiar um simples arquivo para o iPad sem fazer o mesmo passar pelo iTunes.
Não fosse por ele, minha opinião seria outra. O aparelho em si é fácil de usar, responsivo e relativamente rápido. Mas fazer com que o usuário médio ou leigo dependa de softwares toscos pra fazer TUDO, é a morte. MATA o aparelho e este conceito de “novo PC”.
Quem vê o iPad na mão de um amigo, ou na loja, realmente fica maravilhado. Ouve as músicas, vé vídeos, acessa a internet, vê livros sendo folheados como se fossem reais. Até joga games 3D com total fluência. E sai elogiando – PUTA TRECO LEGAL. E aí compra, leva pra casa, e quer MORRER quando vê a dificuldade de se TRANSFERIR, CONFIGURAR OU COMPRAR tudo aquilo que ele viu na loja. É a grande diferença de se MEXER num iPad e TER um iPad – é fácil virar as páginas de um e-book, mas vá COMPRAR um livro online. Ou sequer abrir a porra da conta na AppStore e transferir os livros pro iPad.
Portanto, se você pensa em dar um iPad pro seu pai, mãe ou tia que não sabem mexer em computador, DESISTA DA IDÉIA. Ou prepare-se para a) ser um eterno helpdesk deles ou b) ver um iPad acumular poeira no canto. O grande problema é depender do iTunes pra tudo.
E esse lixo merece um capítulo especial:
iTunes
Essa é a maior aberração que Steve Jobs já criou. O software mais ridículo da face da Terra. É lerdo, pesado, ineficiente, nada intuitivo, e extremamente limitado. Não serve pra PORRA nenhuma. Acessar a AppStore por ela é traumático. Ouvir músicas ou vídeos via iTunes é revoltante. E ter que usar essa joça pra fazer a ponte com o iPad é a antemão de tudo o que o “simplificador” Steve Jobs prega nos seus produtos.
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| Não posso nem usar pra construir armas nucleares. |
Leigo NENHUM usa esse software com facilidade. Primeiro porque ele roda (?) com extrema dificuldade em computadores mais antigos ou menos parrudos. Segundo porque tem 30MB e leva anos pra baixar em conexões lentas. Terceiro porque é OBRIGATÓRIO. E não me venha falar em Jailbreak – não é coisa para leigos.
Assim que o iPad chegou, liguei ansioso para testá-lo. Fui saudado com uma tela sem-graça me mandando plugar no iTunes – sem isso, ele não funciona.
O micro da empresa não me deixava instalar o iTunes. Tive que esperar chegar em casa para poder instalar o iTunes – não sem antes aguardar o download do programa.
Instalei, pluguei o iPad. Tive que abrir uma conta na Apple. Fiz o primeiro sincronismo, e só aí pude usar o iPad. Apple, eu te odeio.
O que é o iPad então?
Não me entendam mal: o iPad é ótimo. Mas é pra poucos.
Não é notebook. Nem celular. E nem um ebook reader. O iPad é… um iPad – um multigadget. Serve pra um monte de coisas, e não presta pra tantas outras. Mas veremos isso na próxima parte do review.
Fiquem ligados.


novembro 3rd, 2010 at 20:12
É amigo, vc sintetizou bem o que é o ipad. Ou vc compra ele com objetivo específico como no meu caso pra usar no meu set de DJ. Ou vai ter alegrias e frustrações constantes. Parafraseando-te A porra do Itunes é uma Desgraça! Irritante, ineficaz , e cheio de bugs. Eu estou aproveitando bastante o meu, mas vc tem razão, não é pra qualquer um, primeiro pelo preço, e segundo pela maneira de gerencia-lo.
Uma dica é antes de liga-lo no itunes, desabilitar as atualizações e sicronismos automáticos.
janeiro 20th, 2011 at 16:24
Se eu tivesse lido o seu texto antes de comprar um Ipad, talvez não teria fechado negócio. Comprei um só porque ouvi e vi muito burburinho a respeito. Agora vejo que é um Iphone aumentado.
janeiro 20th, 2011 at 16:27
Se tivesse lido o que vc escreveu antes de comprar o meu, provavelmente não o teria feito.
Concordo com tudo que vc escreveu.