Aproveitando o embalo da resenha de ‘Lady Vengeance’!
Assisti a ‘Old Boy’ pela primeira vez no cinema. Na época, tinha ouvido de amigos uma ou outra opinião favorável. Vinte contos na carteira, e lá fui eu pro Gemini da Paulista.
QUANDO que eu ia imaginar que ali, numa sessão com meia-dúzia de espectadores, eu assistiria ao melhor filme do mundo?
Como tou com preguiça, vou (tentar) resumir: Old Boy é o segundo filme da "Trilogia da Vingança" do diretor Chanwook-Park (leia mais sobre isso AQUI). E, na minha humilde opinião, o melhor. O filme tem VINGANÇA escrito em todo lugar (não literalmente, meu filho).
Oh Dae-su é um coreano normal, de 30 e poucos anos. Depois de uma bebedeira (costumeira, aliás), vai parar na delegacia junto com um amigo, bem no dia do aniversário da filha. Ao saírem, enquanto o outro liga para a família, Oh Dae-su simplesmente desaparece. Do nada. E reaparece 15 anos depois. Básico, seu.
Na verdade, naquele momento em que saíram da delegacia, Oh Dae-su é seqüestrado e trancafiado em um quarto muquifento minúsculo, com uma cama, chuveiro e tv – que é o seu único meio (unidirecional) de se manter em contato com o mundo exterior.
Sim, O Dae-su fica 15 anos trancado nesse quarto. Recebe todo dia a mesma comida, sem nunca descobrir quem ou o quê está por trás do seu seqüestro. Pela tv, descobre que a mulher foi assassinada e que suas impressões digitais foram encontradas junto ao corpo. E não faz a MENOR idéia de por quê estão fazendo isso com ele.
Chanwook-Park é MESTRE em mostrar em como Oh Dae-su passa da dúvida ao desespero, do desespero à raiva, e finalmente começa a nutrir um desejo FODIDO de vingança contra seu seqüestrador anônimo. Boa parte do filme é espetacularmente explorada em mostrar o processo de loucura do protagonista. E grande parte do sucesso desse processo é mérito do ator, o coreano Choi Min-sik. O cara é bom. Expressão corporal e facial perfeitas. As cenas em que ele aparece com o cabelo todo desgrenhado, com cara de insano, sorrindo igual demente, são impagáveis.
Bom, voltemos ao filme: Depois de 15 anos nessa rotina interminável, Oh Dae-su simplesmente é libertado. Sem nenhuma explicação – apenas com a roupa do corpo, algumas anotações e um celular.
A partir daí, o filme se desenrola entre diversos conceitos: o contato com pessoas depois de 15 anos, o ódio transformado em desejo de vingança, e a caça ao seqüestrador.
Esta, porém, se revela uma tarefa mais fácil do que parecia: o seqüestrador, de forma homeopática, vai se revelando propositadamente ao captivo. Oh-Dae Su ainda conhece uma garota em um restaurante, que o ajuda a buscar vingança. Reencontra velhos amigos. E, claro, novos inimigos também.
Vou parar a história por aqui, porque depois disso qualquer coisa que eu disser vai estragar o filme. ASSISTA.

Old Boy tem um ritmo impressionante, alternando entre cenas fodásticas de porradaria violentíssima e bizarrices, até flashbacks um pouco modorrentos demais. Torturas e brigas com martelos, alimentos vivos sendo consumidos, sangue em profusão. E o humor sádico tão costumeiro de Park. Aliás, o diretor é sádico total… toda cena violenta parece se prolongar de propósito, pra judiar e torturar o espectador. Delícia. Melhor filme do Coreano louco.
O final do filme, meus amigos, é o final mais fodástico da história do cinema. Quem discordar dizendo "-É o do Sexto Sentido!" merece 1000 chibatadas. Ou melhor, marteladas. É tão bom, que no cinema tinha 6 pessoas e ouvi 7 gritando "CARÁLEO!". É porque o próprio Bruce Willis, o mortinho, também gritou.
Pessoas: Assistam. Nada mais posso dizer. Que filme foda.
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